Causas e Controle de Deriva

Na aplicação de produtos químicos de proteção na cultura, a deriva de pulverização é um termo usado para as gotas que contêm os ingredientes ativos que não são depositadas na área alvo. As gotas com maior tendência à deriva de pulverização são geralmente as de tamanho pequeno, menor do que 200 µm de diâmetro e facilmente deslocadas para fora da área alvo devido ao vento ou outras condições climáticas. A deriva pode fazer com que os produtos químicos de proteção de cultura sejam depositados em áreas indesejáveis com graves conseqüências como:

  • Danos às culturas adjacentes sensíveis.
  • Contaminação da água da superfície.
  • Riscos à saúde de animais e pessoas.
  • Possível contaminação à área alvo e áreas adjacentes ou possível aplicação em excesso dentro da área alvorea.

    Causas de Deriva de Pulverização

Inúmeras variáveis contribuem para a deriva de pulverização. Isto se deve, predominante, ao sistema do equipamento de pulverização e a fatores meteorológicos.

  • Tamanho da Gota

    Dentro do sistema do equipamento de pulverização, o tamanho de gota é o fator mais influente relacionado à deriva.

    Quando uma solução líquida é pulverizada sob pressão, ela é atomizada em gotas de vários tamanhos: Quanto menor o tamanho do bico e maior a pressão de pulverização, menores são as gotas e, portanto, maior é a proporção de gotas deriváveis.

  • Altura da Pulverização

    Conforme a distância entre o bico de pulverização e a área alvo aumenta, maior é a influência que a velocidade do vento pode ter na deriva. A influência do vento pode aumentar a proporção de gotas menores carregadas para fora do alvo e consideradas como deriva.

    Não pulverize a alturas maiores do que as recomendadas pelo fabricante da ponta de pulverização e tenha cuidado para não pulverizar abaixo da altura mínima recomendada. (A altura de pulverização ideal é de 75 cm para pontas de pulverização de 80º e de 50 cm para pontas de 110°).

  • Velocidade de Operação

    Velocidades de operação maiores podem fazer com que a pulverização seja deslocada pelas as correntes de vento para cima e faça vórtices atrás do pulverizador, capturando as gotas finas e contribuindo para a deriva.

    Aplique produtos químicos protetores de cultura de acordo com as boas práticas profissionais em velocidades de operação máxima de 6 a 8 km/h (com bicos do tipo indução de ar - até 10 km/h). Conforme a velocidade do vento aumenta, reduza a velocidade de operação.*

    *Aplicações de fertilizante líquido usando as pontas TeeJet® com gotas muito grossas podem ser feitas em velocidades de operação maiores.

  • Velocidade do Vento

    Dentre os fatores meteorológicos que afetam a deriva, a velocidade do vento é o que tem maior influência. Velocidades do vento maiores ocasionam aumento da deriva de pulverização. É consenso que na maior parte do mundo, a velocidade do vento varia através do dia (veja a Figura 1). Portanto, é importante que a pulverização seja feita durante as horas relativamente calmas do dia. O início da manhã e o início da noite são geralmente os períodos mais calmos. Consulte o rótulo do produto químico para saber as recomendações de velocidade de vemto. Ao pulverizar com técnicas tradicionais, deve­se aplicar a seguinte regra geral:

    Em situações de baixa velocidade do vento, a pulverização pode ser executada com as pressões de bico recomendadas.

    Conforme a velocidade do vento aumenta até 3 m/s, a pressão de pulverização deve ser reduzida e o tamanho do bico aumentado para obter gotas maiores que tendem menos à deriva. As medidas do vento devem ser feitas durante toda a operação de pulverização com um medidor de vento ou anemômetro. Conforme o risco de deriva de pulverização aumenta é extremamente importante selecionar os bicos projetados para gotas mais grossas que tendem menos à deriva. Alguns bicos da TeeJet que se encaixam nessa categoria são: DG TeeJet®, Turbo TeeJet®, AI TeeJet®, Turbo TeeJet® Induction e AIXR TeeJet®.

    Quando a velocidade do vento ultrapassa 5 m/s, a operação de pulverização não deve ser executada.

  • Umidade e Temperatura do Ar

    Em temperaturas ambiente acima de 25°C com baixa umidade relativa, as gotas finas têm especial tendência à deriva devido aos efeitos da evaporação.

    Alta temperatura durante a aplicação de pulverização pode gerar a necessidade de alterações no sistema, como de bicos que produzem gotas mais grossas ou a suspensão da pulverização.

  • Produtos Químicos de Proteção e Volume de Diluente

    Antes de aplicar produtos químicos de proteção à cultura, o aplicador deve ler e seguir todas as instruções fornecidas pelo fabricante. Como o volume de diluente extremamente baixo geralmente necessita do uso de tamanhos de bico pequenos, o potencial de deriva aumenta. Recomenda­se o volume praticável mais alto possível. 
 Figura 1.
 Evolução da 
 veloci­dade
 do vento, 
 temperatura
 do ar e umidade 
 relativa do ar 
 (exemplo). 
 De: Malberg

    Regulamentos de Aplicação para o Controle da Deriva de Pulverização

Em vários países europeus, as autoridades reguladoras emitiram regulamentos de aplicação no uso de produtos químicos de proteção de culturas para proteger também o meio ambiente. Para proteger as águas de superfície e as áreas de proteção do campo (os exemplos são: áreas gramadas ou com cercas vivas de uma certa largura) as exigências de distância devem ser mantidas devido à deriva de pulverização. Dentro da União Européia (UE) há uma diretiva para harmonização de produtos químicos de proteção da cultura em relação à proteção ambiental. Nesse aspecto, os procedimentos que foram implementados na Alemanha, Inglaterra e Holanda serão estabelecidos em outros países da UE nos próximos anos.

Para atingir os objetivos de proteção ambiental, as medidas de redução da deriva de pulverização foram integradas como um instrumento central na prática da avaliação de risco. Por exemplo, as zonas de proteção podem ser reduzidas em largura se certas técnicas de pulverização ou equipamentos que tenham sido aprovados e certificados por certas agências reguladoras forem usados. Muitos dos bicos TeeJet projetados para reduzir a devida de pulverização foram aprovados e certificados em vários países da UE. A certificação por esses orgãos registradores se encaixa em uma categoria de redução de deriva, como 90%, 75% ou 50% (90/75/50) de controle de deriva. Essa classificação refere­se à comparação com o bico de referência de capacidade 03 da BCPC.

Fig 2_Wind Velocity

 Figura 2.
 Dv 10% para os
 bicos XR, DG e 
 TT com limites
 inferiores para
 várias 
 velocidades
 de vento.

 

 *Dv 10% do
  Bico
  XR11002 
  a 2,5 bar .



    Bicos de Redução de Deriva de 1ª e 2ª Gerações

O potencial de deriva pode ser minimizado mesmo quando for necessário usar bicos de tamanho pequeno, selecionando o estilo adequado. Bicos como o Turbo TeeJet® (TT), Air Induction TeeJet (AI) e o Drift Guard TeeJet (DG) produzem pulverização média e grande mesmo em tamanhos pequenos. As gotas grandes são muito menos suscetíveis à deriva, mas em alguns casos a cobertura pode ser reduzida devido a uma redução do número de gotas. Este fato deve ser levado em consideração, especialmente ao usar produtos químicos de contato para a proteção de culturas.

Os bicos de pulverização plana com a tecnologia de pré­orifícios podem atingir uma faixa de tamanho de gotas maior com pressões iguais sem redução da vazão. O DG, o AI, o TT, o TTI e o AIXR incorporam a tecnologia de pré­orifícios que executa a função principal de dosagem do fluxo. O orifício de saída maior proporciona a dosagem secundária e a formação de um padrão (veja a Figura 2).

Os bicos tipo venturi, como o AI, TTI e AIXR usam um pré­orifício para criar um fluxo de líquido de alta velocidade e aspirar o ar para dentro do fluxo através de uma abertura lateral. Essa mistura de ar e líquido é então descarregada com velocidade de saída baixa, criando assim, gotas muito grandes com a inclusão de ar. No entanto, as gotas cheias de ar se formam somente com produtos químicos que contêm concentração suficiente de surfactantes.

A Figura 3 demonstra a diferença dos tamanhos de gotas entre os bicos TeeJet XR, DG e TT com base em DV0.5. Dessa figura, pode­se tirar as seguintes conclusões:

  • O bico DG, em comparação com o XR, atinge valores DV0.5 30% maiores. Entretanto, conforme a pressão aumenta, a diferença em porcentagem diminui.
  • O bico TT atinge cerca de valores DV0.5 10 a 20% maiores do que o DG com pressão igual.
  • Os valores DV0.5 para o bico TT com pressão de 1,0 bar são cerca de 70% maiores do que o XR.
Fig 3_VMD

 Figura 3.
 VMD produzidos por
 bicos  XR, DG e TT
 em relação à pressão.

 Condições de medição:

• Teste Laser­Doppler 
• Medição em PDPA 
  contínua sobre toda a
  largura de pulverização
  de jato plano (PDPA) 
• Distância de 50 cm
  (medida ao longo do
  eixo da ponta de 
  pulverização) 
• Temperatura da 
  Água de 21°C


    Resumo

A deriva pode ser controlada com sucesso com o conhecimento correto do equipa­mento e dos fatores que a influenciam. Toda aplicação deve ser equilibrada entre o gerenciamento da deriva e a manutenção da proteção eficaz da cultura. Damos a seguir uma lista de fatores que devem ser considerados para garantir uma aplicação de pulverização segura e precisa.

  • Pressão de Pulverização
  • Tamanho do Bico
  • Taxa de Aplicação
  • Altura do Bico de Pulverização
  •  Velocidade de Operação
  • Velocidade do Vento
  • Umidade Relativa e Temperatura do Ar
  • Zonas de Proteção (distâncias seguras de áreas sensíveis) 
  • Instruções do fabricante de produtos químicos referente à proteção da cultura

Tendo levado em conta todas as variáveis que podem ter influência no potencial de deriva, pode ainda ser necessário considerar o uso de bicos de controle de deriva tais como o AI, TTI, ou AIXR.

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